Projeto contemplado pelo Prêmio Funarte Respirarte na categoria Teatro. Edição de Lucas Krug
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A última sessão, é um filme que traz desde as primeiras tomadas, a informação do que a cineastase propõe a apresentar, sobre o término dos cinemas de calçada, não somente na cidade de Porto Alegre, onde reside, como em todo o país.
A forma tocante, poética, saudosista e ao mesmo tempo indagativa, descontente e realista, aparece na fotografia do filme. Uma constante de luzes e sombras, ora no passado, ora no presente, numa composição cinematográfica de profunda beleza.
A montagem de Lucas Krug, acompanha e reafirma a nostalgia da obra, com sensibilidade e encantamento, na forma que dispõe do material a ser editado, na escolha da melodia, caracteres, efeitos sonoros e visuais.
O ruído
produzido por um antigo projetor, abre o filme, com o nome da roteirista e
produtora da obra.
é a informação precisa que conduz o espectador a um passeio nostálgico
aos velhos cinemas de ruas, a história deles,
Em
seguida, a imagem de
um cinema abandonado, >
da
cultura de um tempo longínquo, de pessoas, de encontros e desencontros, de
letreiros iluminados nas ruas, com o nome das casas de espetáculos e dos filmes
que nelas estavam em cartaz.
Uma
época de magia e arte que deixou de existir...
O filme é todo com
narrador personagem >
O narrador-personagem conta na 1ª pessoa a história da qual participa também como personagem. Ele tem uma relação íntima com os outros elementos da narrativa. Sua maneira de contar é fortemente marcada por características subjetivas, emocionais. Essa proximidade com o mundo narrado revela fatos e situações que um narrador de fora não poderia conhecer. Ao mesmo tempo, essa mesma proximidade faz com que a narrativa seja parcial, impregnada pelo ponto de vista do narrador.
(SILVA, Marina Cabral)
A obra dividida em vários momentos, lembra segmentos da infância da narradora, com imagens de arquivo, do auge dos cinemas de rua, da decadência deles, das salas de cinema atuais, do medo do desaparecimento do teatro e da arte em geral e do vazio deixado no urbanismo da cidade.
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O filme é também uma homenagem ao pai da cineasta, gerente do antigo Cinema Marrocos, personagem reverenciado com um muito amor e gratidão, por tudo que recebeu dele, tanto quando criança, a correr pelos corredores do Cine Marrocos, como hoje, na vida adulta.
Além
de envolver de forma poética o espectador, o filme, critica, busca, indaga,
acusa, mostrando o lado doloroso da arte, que a cada dia sofre mais descaso e
desrespeito.
O
gênero se enquadra na
categoria de
documentário. >
E
por que é um documentário?
Cada documentário tem sua voz distinta. Como toda a voz que fala, a voz fílmica tem um estilo ou uma "natureza" própria, que funciona como uma assinatura ou impressão digital. Ela atesta a individualidade do cineasta, ou as vezes, o poder de decisão de um patriocinador ou organização diretora. (NICHOLS, 2005, p.135)
A obra de Fernanda Petit, adota uma relação de alguma forma, participativa, embora, durante sua narrativa e argumentação, apresenta características de outros tipos de documentários.
O documentário participativo, dá-nos uma ideia do que é para o cineasta,estar numa determinada situação e como aquela situação consequentemente se altera. Os tipos e graus de alteração ajudam a definir variações dentro do modo participativo do documentário. (NICHOLS, 2005, p.153)
Segundo
Nichols, Introdução ao documentário. Campinas,
SP: Papirus, 2005, existem seis tipos de documentário, os quais , cada um
deles, serão explanados nas próximas postagens.